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Morreu Claude Lanzmann (1925-2018)

Morreu esta quinta-feira, em Paris, o cineasta e escritor francês Claude Lanzmann, diretor do emblemático documentário Shoah, sobre o Holocausto. 

Filho de imigrantes judeus russos em França, Lanzmann nasceu em Paris em 1925 e lutou - ainda adolescente- na resistência antes de estudar filosofia na Sorbonne depois da guerra. Após um período na Alemanha Ocidental, no final dos anos 40, regressou a França, sendo então convidado por Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (com quem acabaria por manter uma relação amorosa, entre 1952 e 1959) para trabalhar na revista Les Temps Modernes, fundada em 1945, assumindo em 1986 o cargo de editor-chefe. Formado em jornalismo e com fortes ideias políticas, Lanzmann acompanhou intensamente o espectro político mundial dos anos 50 e 60, escrevendo artigos sobre Israel (de quem era um feroz defensor), Coreia do Norte e Tibete, sendo um dos signatários do Manifesto dos 121, denunciando as ações do governo francês na Argélia.

Em 1973 realiza o seu primeiro filme, Pourquoi Israel, que mostra um conjunto de entrevistas inéditas que conduziu para um programa de TV francês. Foi, contudo, em 1985 que Claude Lanzmann construiu a sua obra mais marcante, Shoah, trabalho com 9h30 de duração onde retrata a visceralidade da tragédia do Holocausto.

O sofrimento dos judeus na 2ª Guerra Mundial seria ainda o foco de uma série de longas-metragens ao serviço da "memória", como Sobibor, 14 de outubro de 1943, às 16h, sobre uma revolta parcialmente bem-sucedida contra os guardas de um campo de concentração; O Relatório Karski, sobre um combatente da resistência polaca que tentou conscientizar os aliados dos terríveis massacres ocorridos na Polónia; e The Last of the Unjust, um documentário sobre Theresienstadt, um campo de concentração para os judeus da classe alta em Terezín, apresentado pelos nazis como um modelo para fins de propaganda. 

O seu penúltimo filme, Napalm, que relata um breve caso com uma enfermeira norte-coreana quando visitou o país, estreou no Festival de Cannes em 2017 e foi exibido em Portugal no Doclisboa. O último filme de Lanzmann foi The Four Sisters - um quarteto de entrevistas com quatro mulheres sobreviventes do Holocausto originalmente filmadas para Shoah.



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