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Spike Lee arrasa Trump e diz que "BlacKkKlansman" não tem resposta para o racismo

Nós temos um gajo na Casa Branca, que eu nem vou dizer o filha da p*** do nome dele, que teve um momento decisivo, não apenas para a América, mas para o mundo, e o filho da p***  teve a chance de dizer: 'Nós somos amor e não ódio'. E esse filho da p*** não denunciou o filho da p*** do Ku Klux Klan, a alt-right e aqueles filhos da p*** nazis”.

Na América contam-se as vezes que Spike Lee usou a palavra motherfucker para - sem nunca mencionar o seu nome - descrever o trabalho de Donald Trump no caso de Charlottesvillle, onde supremacistas brancos se juntaram em agosto de 2017, levando a um dos confrontos mais intensos recentes da história do país. Trump culpou dos dois lados e em momento algum teve um discurso contra uma marcha de extrema direita.

Lee, cujo seu novo filme aborda a forma como um negro se infiltrou no Ku Klux Klan, não perdoa a Trump por estes factos, mas ainda assim diz que o seu projeto apresentando em Cannes não pretende dar respostas, tal como Não Dês Bronca não o fazia em 1989: "Espero que as pessoas de outros países vejam este filme. Uma das críticas ao Do The Right Thing era que eu não fornecia a resposta ao racismo. Não tinha resposta; [o filme] foi para começar uma discussão. O mesmo [se passa] com este filme ..." 

Ainda sobre Charlottesville, Spike acrescentou: “Foi um momento decisivo em que ele [Trump] poderia ter dito ao mundo: 'Não, os Estados Unidos são melhores que isto'. Os Estados Unidos da América foram construídos sobre o genocidio dos povos nativos e da escravidão. Esse é o tecido dos Estados Unidos da América. Como o meu irmão de Brooklyn Jay-z diria, 'Factos'. (...) Nós olhamos para os nossos líderes para nos darem orientação, para tomarem decisões morais e eu gostaria de dizer que isso não é apenas algo que pertence aos Estados Unidos da América. Essa merda da direita não é só na América. Está em todo o mundo e precisamos acordar. Nós não podemos ficar em silêncio. Não apenas o preto, o branco ou o castanho. Todo o mundo."

Recorde-se que em BlacKkKlansman - muito bem colocado na corrida à Palma de Ouro - seguimos a história de Ron Stallworth (John David Washington), um detetive em Colorado Springs, EUA, que ousou desafiar o Ku Klux Klan (KKK) e frustrou as suas tentativas de conquistar a cidade. Stallworth esteve no centro da investigação secreta que atingiu os líderes da organização. O curioso é que Stallworth subiu milagrosamente nas fileiras do KKK sendo um afro-americano. Ele fez as manchetes em 2006, quando veio a público com a sua história e explicou como tinha tropeçado no Klan e conseguiu se tornar um líder local, fingindo sentimentos racistas por telefone e enviando um colega branco para as reuniões no seu lugar: «Eles eram todos idiotas», disse Stallworth à Vice numa entrevista em 2014. Adam Driver interpreta o detetive que substitui Stallworth nas suas reuniões face-a-face com o KKK.

BlacKkKlansman ainda não tem data de estreia em Portugal.

 

 



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