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Emir Kusturica sobre Harvey Weinstein: "Se Hillary Clinton fosse presidente dos EUA, esse maníaco nunca seria tratado como é hoje"

Numa entrevista ao The Hollywood Reporter, o realizador sérvio Emir Kusturica criticou duramente Harvey Weinstein, não só apelidando-o de "bastardo", mas dizendo que ele foi "a pior pessoa do mundo nos últimos 30 anos, não só pelas mulheres que assediou", mas também porque transformou "o cinema independente em cinema dependente". 

Já sobre o porquê de Weinstein ter estado tantos anos a fazer o que fez e de ter caído em desgraça só agora, o realizador de Gato Preto, Gato Branco e Underground diz que tal aconteceu devido a uma mudança das elites políticas nos EUA: "Se os democratas tivessem ganho e Hillary Clinton fosse presidente dos Estados Unidos, esse maníaco nunca seria tratado como é hoje". 

Admitindo que Donald Trump reflete "a crise" que se passa nos EUA, onde existe "uma divisão entre quem realmente governa e quem é o presidente", Kusturica falou ainda das boas relações com Vladimir Putin, com o qual admite ter "respeito". Porém, o sérvio sabe que essa "amizade" tem sido prejudicial para si no ocidente: "O meu mais recente filme, On the Milky Road, esteve no [Festival de Cinema de Veneza em 2016]. Quando o júri discutiu o filme, um membro, um americano [nesse ano existiam dois, Joshua Oppenheimer e Laurie Anderson], disse que o meu trabalho não poderia ser considerado para nenhum prémio, porque tinha elementos inimigos do Ocidente, o que não é verdade." 

O futuro do Cinema

Kusturica acredita que a Netflix [e o streaming] vai dominar, pois podem-se ver os filmes que se quiserem por 7 dólares, quando se paga 11 dólares num cinema para ver. Qual o futuro então das salas de cinema? "A tecnologia vai nos surpreender (...) vamos transformar a ideia de cinema, infelizmente, em assistir a um filme sozinho ou com alguns amigos, mas não em grandes cinemas. A minha previsão é que o cinema acabará como a ópera. Os cinemas serão instalados nas grandes cidades, ou apenas um em cada uma das cidades mais pequenas, e o resto [filmes] será visto entre telemóveis, laptops e televisão."

Novos projetos

Afirmando que ainda está a pensar em como irá desenvolver a adaptação de Se Não Agora, Quando?, de Primo Levi, ao cinema, o cineasta não tem dúvida que se "a imigração continuar a ser uma das principais características da vida social na Europa" vai mesmo avançar com o projeto.

Para já, ele vai avançar com Just One More Time, um filme baseado numa história real e em dois livros de Fyodor Dostoyevsky: O Idiota e Crime e Castigo. "Eu acredito que hoje, a personagem de Myshkin de O Idiota pode ser combinada com Crime e Castigo. E acredito que a China é o melhor palco para interpretar a ideia de violar a moralidade e encontrarmo-nos em posições incríveis e insuportáveis, que esmagam todos os laços morais.".



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