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«Adeus Minha Rainha»: os últimos Brioches de Maria Antonieta


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Diane Kruger como Marie Antoinette 

A Revolução Francesa continua a fornecer material farto aos artistas, assim como uma das suas personagens mais controversas – Maria Antonieta, a última rainha de França (aqui vivida por Diane Kruger). O realizador Benoit Jacquot, baseado no livro homónimo de Chantal Thomas, optou por mostrar o início da queda da monarquia francesa através do olhar da leitora da rainha Sidonie (Léa Seydoux) que continua fascinada pela monarca enquanto lá fora a Bastilha é tomada e chegam os primeiros ecos de que os dias da monarquia estão no fim. 

O tempo histórico de “Adeus Minha Rainha” (passado em três dias, num dos quais dá-se a queda da Bastilha) ainda não é o da verdadeira despedida de Maria Antonieta – aquela que entrou para a mitologia revolucionária por supostamente ter dito “O povo não tem pão? Que coma brioches!” (os historiadores hoje são unânimes em afirmar que ela nunca disse tal coisa). Após a deflagração da Revolução ela ainda permaneceria quatro anos como rainha. É, sim, o adeus às ilusões de Sidonie que, assim como muitos dos seus contemporâneos de Versalhes, tinha dificuldade em compreender e aceitar as novas regras do jogo. 

O prestígio e o cerimonial da corte iam por água abaixo enquanto na rua uma turba raivosa, devidamente evangelizada por aristocratas dissidentes e líderes liberais de uma nova elite, metia o terror. Os dramáticos acontecimentos que iam tomando forma, particularmente em Paris, que na altura ficava distante de Versalhes, nunca são mostrados. O filme concentra-se no seu sonoro eco entre a vasta corte de Versalhes – cuja perplexidade inicial vai se transformando em pânico. 

O filme abriu a última edição do Festival de Berlim e, a nível local, abre o Festival de Cinema de Foz Coa (27/09). Benoit Jacquot também será objeto de uma retrospetiva no Cine Coa e no Nimas (Lisboa), onde serão exibidos cinco dos seus trabalhos: “L’Assassin Musicien” (1976), “Les Enfants du Placard” (1977), “Les Mendiants” (1988), “La Fille Seule” (1995), e “Sade” (2000)

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Lea Seydoux e Benoît Jacquot   

 

A protagonista, Léa Seydoux, vai aos poucos dando alguns passos numa carreira internacional, ela que em França foi nomeada ao César de Atriz Mais Promissora em 2009 por “A Bela Junie”. Depois de participações em “Sacanas sem lei” e “Robin Hood”, no ano passado esteve em “Meia-Noite em Paris” e “Missão Impossível – Operação Fantasma”. Ela protagoniza “Irmã”, que já passou pelo Indie Lisboa este ano a será lançado em Portugal em novembro e, para o ano, entra no último trabalho do tunisino Abdellatif Kechiche (de “O Segredo de um Cuscuz”), “Blue Is a Hot Color” e numa nova versão de “A Bela e o Monstro”, onde contracena com Vincent Cassel e Gerard Depardieu

Diane Kruger, uma escolha feliz para encarnar a rainha austríaca, na próxima semana estará novamente presente nos ecrãs portugueses com um trabalho de 2009, “Sr. Ninguém”. No ano passado esteve em cartaz ao lado de Liam Neelson em “Sem Identidade”. Este ano, entra na nova comédia de Dany Boom, “Un Plan Parfait”. Já em 2013 estará ao lado de Saoirse Ronan numa nova adaptação baseada no livro de Stephenie Meyer, “Nómada”.

 

Adeus à Rainha

 

Realização: Benoit Jacquot

Elenco: Léa Seydoux, Diane Kruger, Virginie Ledoyen. França, Espanha, 2012.

 



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