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«Captain Marvel» (Capitão Marvel) por Ilana Oliveira

Pela primeira vez temos um filme solo de uma heroína no Universo Cinemático da Marvel. Pela milésima vez temos um filme feito a partir da mesma receita. Captain Marvel chega aos cinemas para, supostamente, preencher a lacuna que faltava para a Marvel estar 100% dentro do politicamente correto da sociedade atual, e, pronto, temos aqui a sua constatação.

Constatação apenas, já que de inovador não se tem um fio de cabelo. Encabeçado pela realização de Anna Boden e Ryan Fleck (Half Nelson), o filme contextualiza o início dos anos 90 nos EUA e tudo aquilo que já foi preparado para o próximo Avengers: Endgame. A grande promessa de salvação chamada “Capitã Marvel” tem aqui sua própria história e, baseados nas bandas-desenhadas, retratam Carol Danvers - ou, como é conhecida no início do filme, Vers - na sua trajetória para descobrir quem é ela mesmo, já que, após adquirir poderes sobre-humanos, perdera a memória.

Para dar vida à personagem temos Brie Larson, atriz que teve a atenção do público após ganhar o Oscar pela sua atuação em Room, ao lado do ator-criança Jacob Tremblay. Na sua construção da personagem, temos toda a irreverência e sarcasmo presentes na Denvers canónica, mas entretanto falta aqui um forte senso de carisma. A sua comicidade é esparsa a ponto de não ser memorável e a sua dualidade entre razão e emoção está batida demais para ser relevante.

Todo o elenco sofre com um argumento raso, formulaico e tematicamente conhecido. A exposição constante em todos os diálogos, martelando para o espectador toda a luta interna da sua protagonista ou, até mesmo, o nível de perigo daquilo que as suas personagens estão prestes a enfrentar, fazem com que tudo aquilo já tenha sido visto antes. Entretanto, com uma protagonista feminina para dizer que ali está. O ponto forte da narrativa vem aquando da melhor amiga de Carol Danvers, Maria Rambeau - vivida por Lashana Lynch- e a sua filha, para demonstrarem que não é preciso que uma personagem feminina seja a mais forte dentre todos os outras, para então ser relevante.

Ponto forte do enredo também é toda a aura presente de Samuel L. Jackson ao trazer o seu Nick Fury num modo mais relaxado, sem o peso da sua pala e a engatinhar com os trabalhos da S.H.I.E.L.D (seria este filme todo um episódio da série?). As suas piadas fazem sentido e o seu trabalho de atuação consagra-o como a personagem mais interessante e carismática de toda a história, ao lado do gatinho Goose.

Visualmente, Captain Marvel é um carnaval de raios luminosos misturados a cenas de ação dolorosamente realizadas, já que tudo aquilo resulta em imagens desorganizadas e difíceis de acompanhar, a não ser nos inúmeros momentos em que os realizadores optam pela utilização extensiva da câmara lenta.

A sua sequência de luta final é, sim, uma expressão de que todos os esforços não são páreos para o poder de Carol Danvers, assim como os esforços da Marvel para representar essa personagem tão expressiva em um momento tão ávido pela sua potência.

Ilana Oliveira



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