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«Bad Poems» por Ilana Oliveira

A partir da construção de um arco principal extremamente convencional, Bad Poems é um filme que consegue fazer-se interessante pela completamente oposta não-convencionalidade de sua realização. Gábor Reisz, o húngaro responsável pela direção, escrita e atuação do seu segundo projeto em longa-metragem, conta a história de Tamás, um rapaz nos seus 30 anos que, após ter sido deixado pela namorada, começa uma jornada intrapessoal sobre as suas decisões amorosas, profissionais e familiares tomadas até então.

O interessante nesta obra é a recorrente citação e referência a diversas outras obras consideradas clássicas, ou memoráveis nos anos atuais, por meio da reprodução de estilos fotográficos, de continuidade ou figurino, sem perder a sua originalidade e unidade como obra independente e nem a fluidez de narrativa. São citações ao James Bond de Sean Connery, ao Drácula de Bram Stoker, e até mesmo ao “burn book” de Mean Girls (com direito a falas em um inglês ultra-carregado de sotaque húngaro), que dão graça a diversas sequências que, nas mãos de outros realizadores, seriam meros flashbacks sobre as vivências da sua personagem durante sua infância, pré-adolescência e adolescência.

Acompanhado pelo Tamás de 7, 14 e 18 anos, o Tamás de 30 entra em conflito com suas lembranças, às vezes duvidando das mesmas, para tentar entender os motivos da decisão da sua ex-namorada Anna, que terminara o relacionamento enquanto os dois se encontravam em Paris. A ponte aérea entre Budapeste e outra cidade da Europa também aconteceu na primeira longa-metragem de Gábor, For Some Inexplicable Reason, de 2014, mais especificamente a capital portuguesa.

Essas transições são também os pontos altos dessa realização altamente teatralizada de Gábor, as alternâncias de espaço são trabalhadas de maneira a confundir o espectador sobre os limites daquilo que imaginamos como cenário. Do quarto para piscina, do autocarro para a escola, são algumas das criações que trazem um tom mais cómico e interessante para este enredo que já fora trabalhada tantas vezes no grande ecrã.

O leve humor que rodeia toda a contestação pessoal do personagem central vivido pelo próprio Reisz é também um respiro para o argumento, as personagens caricatas que convivem com Tamás adicionam mais camadas humanizadas, aproximando os espectadores de um rapaz que na maior parte do tempo não evolui as suas questões, apenas tenta entendê-las.

O tom encontrado pelo realizador neste trabalho é um equilíbrio entre a invenção cinematográfica e a banalidade fílmica, conseguindo cativar aqueles que procuram por uma trama leve e instigante ao olhar.

 

Ilana Oliveira



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