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«A Volta do Mundo Quando Tinhas 30 anos» por Hugo Gomes

Não há nada de novo na prolongada tese, mas mesmo assim A Volta do Mundo Quando Tinhas 30 anos, da realizadora de ascendência japonesa Aya Koretzky, é o exemplo perfeito de como o Cinema tem razões que basta para se assumir como uma capsula temporal, um baú de memórias que arquiva, preserva e partilha.

Arquivar, porque neste caso é o pai da realizadora, Jiro Koretzky, a assumir o protagonismo do relato e a selecionar as invocadas recordações que servem de mote para a preservação. Sublinhamos a segunda virtude deste cinema documental: a conversão de Jiro e das suas aventuras pelo solo soviético, passando pela Europa, Africa, Médio Oriente e EUA, a parcialidade do ‘Volta ao Mundo’ (longe do espirito verniano dos 80 dias) como matéria conservada numa narrativa pronta a ser partilhada. Afinal, é nesse ponto que reside a grande essência do Cinema – a partilha.

A Volta do Mundo Quando Tinhas 30 anos segue os trilhos definidos e estudados do documento fílmico e, como este, maleável, presta se como auxilio na redefinição do Mundo de Ontem, Hoje e de Amanhã. Para Jiro e Aya, é o passado das coisas, embutidas num álbum de fotografias como prova da existência individual, a indicar diretamente um presente em constante mutação. Jiro tornou-se o homem da atualidade, porque esse passado assim o permitiu. Grato por essas experiências, a sua emancipação embelezada pela beleza do foto/filme convida-nos a explorar esses contornos elucidados pelo destino.

Aya Koretzky constrói um filme pessoal, mas não o faz apenas com o seu devido esforço. É um trabalho conjunto, a união familiar, os traços desses afetos como “tesouros” de inveja alheia (há um respeito mutuo, uma admiração diríamos antes). É a estória a servir de história, sem com isso fazer História. É a proximidade no ecrã que nos aquece, e este tipo de Cinema volta-se apresentar como uma chama insaciável no que requer a tratar as memórias na primeira pessoa.

A Volta do Mundo Quando Tinhas 30 anos poderá não soar a sofisticação, porque a Humanidade não anseia a evolução das suas narrações. Um saudoso filme de memória. Uma lição de vida.

Hugo Gomes



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