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«In the Aisles» (Entre Corredores) por Jorge Pereira

Pequena pérola passada entre corredores de um cash & carry gigantesco, In den Gängen mergulha nas atividades rotineiras dos trabalhadores que organizam o armazém, apresentando as suas ansiedades, contrariedades, paixões e desilusões.

Thomas Stuber envolve-nos numa teia onde o realismo ganha contornos mágicos e místicos, mostrando a beleza - num trabalho desenvolvido a régua e esquadro aproveitando a geometria do armazém - nas atividades mecanizadas e monótonas do processo laboral. "Bem-Vindos ao Turno da noite", ouve-se nos altifalantes do espaço, no qual uma empilhadora a transportar garrafas ganha contornos de um delicado bailado regido a amor. O mundano torna-se erudito, o banal em arte.

Para além de ser visto como uma viagem e estudo ao trabalho e a um microcosmos peculiar, este filme baseado num conto de e Clemens Meyer é também uma jornada existencial ao íntimo de Christian, um jovem recatado, tímido e pouco aventureiro que se enamora por Marion, uma mulher casada que trabalha na área dos doces do armazém. A curiosidade, a descoberta, o fascínio e a desilusão são aqui ensaiados numa tragicomédia romântica que sentimos que caminha para a desgraça.

Mas não é tantas vezes esse caminho belo? Stuber transformou o corriqueiro em belo, conduzindo o espectador para algo mais que o visível e pálpavel. Nessa jornada contou com ótimas interpretações, seja de Franz Rogowski (Victoria; Transit) ou de Sandra Huller (Toni Erdmann).

Em suma, estamos perante uma pequena jóia da Kino- Mostra de Cinema de Expressão Alemã, onde ainda podemos contar com uma banda-sonora associada a ações das máquinas  e humanos que tanto nos levam a 2001 Odisseia no Espaço (O Danúbio Azul de Strauss) de Kubrick, como a Mon Roi (o tema Easy de Son Lux) de Maïwenn.


Jorge Pereira



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