Menu
RSS


«Lost Holiday» por Hugo Gomes

Michael Kerry e o ator Thomas Matthews reúnem-se para uma primeira aposta na direção, e com isso passam oficialmente para a segunda base da “escadaria”, o formato da longa-metragem.

Lost Holiday é descrito como uma comédia negra de contornos dramáticos que indicia becos existenciais para nos levar a uma autodestruição positiva, a necessidade de um individuo encontrar um novo significado para a sua vivência, nem que para isso renegue todo um “rasto” deixado. Por entre um forçado hedonismo, Margaret (Kate Lyn Sheil) e o seu amigo de longa-data Henry (Thomas Matthews), convencem-se estarem prontos para decifrar um rapto que decorrera na sua vizinhança, partindo assim numa caótica investigação por meios recreativos. Através dessa missão de última hora, Margaret espera esquecer as suas desilusões amorosas e a vida desamparada pelo qual está passivamente aprisionada.

Num registo a cair no mumblecore, esta primeira realização incentiva um constante olhar para com o passado, de forma a que este, sob um jeito flashback, adquira uma relevância fantasmagórica para o enredo que se desenrola. Tudo isso, joga em favor da trabalhada psicologia de Margaret, cujo corpo é guiado pelas forças do escapismo citadino e a mente que constantemente invoca um momento-chave da sua persona. É uma viagem existencial que deixa toda a ação conduzida num policial à paisana para segundo plano, um macguffin para sermos mais exatos quanto aos seus propósitos.

Lost Holiday é um filme sobre uma personagem só, endurecendo essa jornada e atentando um guia para o espectador conhecer o caminho e o caminhante num só combo. Contudo, é essa a sua grande fraqueza, esse afunilamento para com a protagonista atribui pouca interação com o resto do “gangue”, tornando-se numa obra míope e cujo défice força-a a uma deambulação oscilante que providencia algumas decisões duvidosas a nível de resolução de guião.

Mas a dupla Matthews evidencia aqui algum esforço em seguir as tendências do cinema indie norte-americano com um teor algo anárquico. Possivelmente, o futuro será mais que risonho para esta equipa, nem que seja uma “vingança” em circuitos mais modestos como a própria comunidade de cinema independente norte-americana. A ver vamos!

Hugo Gomes



Deixe um comentário

voltar ao topo

Contactos

Quem Somos

Segue-nos