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«3 Days in Quiberon» (3 Dias em Quiberon) por Jorge Pereira

Construído através de um preto e branco luminoso, 3 Dias em Quiburon é uma viagem à alma da famosa atriz Romy Schneider um ano antes da sua morte, seguindo a sua permanência em 1981 numa estância balnear na Bretanha (França), para tratamento de adições.

Marie Bäumer, com diversas parecenças físicas à falecida atriz, não queria assumir este papel, mas ainda bem que o fez, pois revela-se a força maior de um filme sobre a famosa Sissi dos cinemas, mas que apenas queria ser Romy Schneider. Depressiva, álcoolica, extremamente amargurada pelo que o filho pensa dela, e perseguida pela imprensa, que retrata incessantemente a avalanche de escândalos em que ela se vê envolvida, 3 Dias em Quiburon ficcionaliza o período em que ela deu uma entrevista ao jornalista Michael Jürgs da Stern, acompanhado pelo fotógrafo Robert Lebeck, cujas imagens circularam pelo mundo.

É igualmente uma viagem tímida aos meandros de onde acaba o jornalismo e começa o sensacionalismo, mas na sua essência resume-se a uma exposição do estado de espirito sombrio de alguém a quem fama marcou a existência, a quem a mãe (por entrelinhas) explorou economicamente, e que aparentemente sempre amou os homens errados no seu percurso.

Emily Atef, a cineasta, apesar de seguir  alguns formalismos e simbolismos das narrativas típicas dos biopics, consegue em diversos momentos sair de quaisquer amarras, destacando-se especialmente um segmento em que Baümer e um Denis Lavant arrebatador enchem o ecrã com todas as suas loucuras, desespero e carisma nas palavras e atos. Algumas situações trágico-cómicas, normalmente associadas a Hilde (Birgit Minichmayr em bom relevo), ainda aligeiram o tom angustiante de um filme que irradia espontaneidade e, acima de tudo, carisma.


Jorge Pereira 



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