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«Dollhouse: The Eradication of Female Subjectivity from American Popular Culture» por Hugo Gomes

Nicole Brending repesca as bonecas da sua curta-estreia Operated by Invisible Hands (2007) para nos trazer o que inicialmente poderia ser indicado como “um retrato do século XXI”. Em jeito de Vox Lux (ou talvez não!), este Dollhouse: The Eradication of Female Subjectivity from American Popular Culture foca-se na fictícia ascensão e queda de uma jovem estrela pop passando pelos lugares-comuns que tomam forma os tabloides e as tragédias VIP.

Uma criança convertida em astro precoce, pressionada por uma mãe autoritária e controladora, inserida em escândalos sobre escândalos e um turbilhão de decadência ao som das drogas, álcool e sexo desmesurado, elementos que à partida levam-nos à base de muitas das famas “fabricadas” por aí tidas na indústria musical e cinematográfica. Brending expõe esse relato sob a cadência de um mockumentary (falso-documentário), ou falsa-reportagem chique se quisermos especificar, que acompanha em “exclusivo” os tormentos dessa problemática child star.

E a realizadora faz isso através de bonecas, um utensilio artesanal que o afasta da logística comum da atuação e corrompe a ingenuidade de tais brinquedos. Enfim, ideias que em outras mãos e em outras mentes resultariam numa crítica ácida às espinhosas voltas e reviravoltas da celebridade. Ao invés disso, Dollhouse proclama-se como um imaturo jubilo por parte da artista que cede à piada fácil, derivativa e ofensiva no ponto de vista que ridiculariza a comunidade LGBT e as novas gerações, sempre atribuindo-as a indignidade do ofendido fácil. É que na máscara do seu politicamente incorreto, Brending é uma conservadora que olha de cima para todos os novos movimentos e ideologias de género.

Com isto salienta-se, deambulando pela sua perversidade fingida e sem noção crítica, e sem paladar a nível cinematográfico (quer narrativamente, como tecnicamente, é tudo uma “brincadeira de crianças”), Dollhouse é uma experiência que resulta em inocuidade. Pior, como primeira longa-metragem é um sinal de incompetência. Simplesmente medonho!

Hugo Gomes



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