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«Instant Family» (Família Instantânea) por Jorge Pereira

As relações familiares em modo comédia têm sido a praia do realizador Sean Anders, ele que nos últimos anos assinou Pai Infernal (2012), Pai Há Só Um! (2015) e Pai Há Só Um... Ou Dois (2017). Neste Família Instantânea, projeto autobiográfico do próprio Anders, o pai de serviço, ou antes, "o projeto de pai", é interpretado por Mark Wahlberg, ator que tem trabalhado por diversas vezes com o cineasta e que aqui, juntamente com a esposa (Rose Byrne), decide adoptar um trio de crianças.

Construído como um crowd pleaser familiar a puxar à lágrima num ambiente sistemático de "feel good movie" repleto de previsibilidade (até as fotografias finais nos créditos são esperadas), Família Instantânea aborda a temática da adoção, a falta de preparação dos pais para a tarefa, o complicado estado emocional das crianças, e a forma como a sociedade trata e observa a adoção. Para isso, o realizador e argumentista recorre a gags constantes e truques muitas vezes lamechas para manietar o espectador para o campo dos sentimentos primários e instintos paternais/maternais, sendo nesse trajeto sempre didático na apresentação das falhas de um sistema obsoleto e nos peões burocratizados que quem adopta conhece pelo caminho.

Se a ligeireza com que tudo é tratado num processo extremamente complexo traz alguma leveza ao filme, é verdade também que por aqui tudo é simplificado e facilitado. As pessoas não têm problemas económicos (muda-se de casa como quem muda de roupa), têm quase sempre desejos egoístas (uma potencial mãe quer um jovem negro para conduzi-lo ao sucesso no mundo do desporto), movimentam-se apenas pelas emoções e instintos (adoptar para mostrar aos outros que se tem capacidade para tomar conta de crianças "problemáticas"), enquanto os miúdos são reduzidos ao desejo de serem amados (já assim era em filmes como O Pestinha).

Por esta razões, e apesar da pertinência e coração que todo o filme tem, Família Instantânea nunca é mais que um objeto construído para no final o público sentir-se bem com ele mesmo, um trabalho de tom desigual que balança entre a comédia idiota e o drama familiar sem nunca apresentar nada de novo, isto pese embora seja baseado numa história verídica.


Jorge Pereira
 



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