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«Nos Batailles» por Jorge Pereira

Usando a mesma estratégia de Keeper e metodologia de trabalho, o belga Guillaume Senez constrói com os seus atores este Nos Batailles, um drama familiar passado numa pequena localidade onde Olivier (Romain Duris) procura combater a injustiça no seu trabalho e simultaneamente educar os filhos, especialmente depois da sua esposa, Laura, sair de casa sem qualquer explicação.

Senez não escreve as falas dos seus atores e constrói com eles os diálogos que se apoderam de temas como o mundo laboral e a vida quotidiana, sempre entrelaçados entre a intimidade das vidas pessoais e o drama social. A forma como o cineasta e Duris jogam entre o papel de sindicalista e o de pai de dois miúdos (há pontos que fazem lembrar Kramer contra Kramer), revelam duas facetas que o vão desgastar internamente com a incerteza do que aconteceu à sua esposa, com as novas responsabilidades e com dúvidas existenciais de como seguir o seu rumo a nível laboral.

É um filme curioso, bem interpretado e sem sensacionalismos, nunca caindo em excessos melodramáticos ou demasiadas explicações sobre a razão da ausência da mulher do seio familiar. Por outro lado, afasta-se de ser excessivamente intrusivo e detalhado nas estruturas e lutas sindicais, dando espaço para sobressair a pessoa analisada e não a sua luta.

Nisto, Romain Duris consegue uma das suas interpretações mais satisfatórias em anos e Senez um filme de cariz autoral que pactua um pouco com as suas visões políticas do dia a dia, inserindo os problemas sociais do mundo real na dramaturgia. Um último apontamento para a presença de Lætitia Dosch, que no papel de irmã de Duris oferece a luz ao caminho doloroso (e ao filme) que Duris tem de atravessar.


Jorge Pereira



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