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«Diane A Les Épaules» por Jorge Pereira

Depois de diversas curtas metragens, algumas das quais que abordavam a parentalidade, como Le Sens de L'Orientation e Un Chien de Ma Chienne, Fabien Gorgeart apresenta a sua longa-metragem Diane A Les Épaules, comédia com elementos dramáticos que coloca uma mulher como barriga de aluguer para um casal de amigos gay.

As primeiras cenas do filme mostram logo como a nossa Diane (numa prestação cheia de carisma de Clotilde Hesme) é. Num jogo do engate, ataca verbalmente a "falta de qualidade" dos dentes do seu "engate" num bar apinhado e repleto de música. Depois disso, passamos imediatamente para a gravidez, o seu processo, e como pelo caminho ela se relaciona não só com o casal amigo, mas com um novo pretendente: Fabrizio (Fabrizio Rongione, habitué do cinema dos Dardenne).

Os dois não podiam ser mais diferentes. Fabrizio é mais da velha guarda tradicional nas relações e só a sua reacção quando Diane lhe diz que está grávida, mostra logo a forma como a sua personagem vai lidar - sempre com um sentido de frustração na mente com a evolução desta Diane tão livre, tão dona de si, tão despreocupada com as ações, mas certamente marcada no seu interior, embora protegida por uma camada exterior de aparente força - uma mistura da heroína "rohmeriana" e a Ripley de 'Alien', como o próprio realizador o descreve, com Hesmo a dar-lhe uma dimensão de mulher da Nouvelle Vague com as certezas e incertezas dos dias de hoje.

É assim entre a comédia o drama e a prestação marcante de Hesme que o filme se cose, nunca aprofundando de forma expedita o tema das barrigas de aluguer, mas também nunca tratando tudo de forma superficial como se fosse um mero dispositivo para uma comédia tola ou um drama sobre uma mulher contemporânea.

 
Jorge Pereira



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