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«We The Coyotes» por Jorge Pereira

São óbvias as influências do cinema independente norte-americano neste We The Coyotes, filme da dupla Marco La Via e Hanna Ladoul que divide o seu tempo entre Los Angeles e Paris e que claramente incutiu nesta história situações e temores auto-biográficos.

Passado na cidade dos anjos e durante um único dia, na fita seguimos um casal que se muda para o local como um novo início para as suas vidas, ao velho estilo da perseguição do sonho americano. Com alguns dólares na bagagem, muito amor no coração e ingenuidade em sobra, os jovens vão descobrir que a terra dos sonhos é também a dos pesadelos, tudo através da interação com inúmeras personagens, espaços e modos de vida (mercado do trabalho, ação da lei, pressão imobiliária) que os colocam como uma espécie de marginais na sua nova casa, numa verdadeira periferia social, tal e qual os coiotes que se ouvem nos limites da cidade.

Esse fascínio pelas personagens à margem tem tiques de Harmony Korine e Sean Baker e isso nota-se também na forma como filmam, de dia e de noite, nas ruas e nos interiores,  e se movimentam numa road trip por uma cidade tão fascinante como estranha.

Numa conversa com os realizadores, eles mesmo frisaram a Califórnia como uma bolsa, uma lufada de ar nesta América pós Trump, embora o que se assista pela janela do carro dos nossos protagonistas, seja uma América como um objeto raro, portadora de tanta sedução e poder de atração como digna de amedrontamento e desconfiança.


Jorge Pereira



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