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«Figlia Mia» por Jorge Pereira

Valeria Golino e Alba Rohrwacher entregam interpretações marcantes sobre duas mulheresem disputa pela filha neste Figlia Mia, um drama italiano modesto estreado no Festival de Berlim que abriu a Olhares do Mediterrâneo em 2018.

Este imbróglio triangular incomum surge quando duas mulheres chegam a um acordo que estipula que uma delas, Tina (Golino), vive e educa Vittoria, uma jovem de cabelos ruivos (Sara Casu) que tem todas as marcas físicas ligadas à sua mãe biológica, Angelica (Rohrwacher). Quando a rapariga já tem quase 10 anos, Angelica começa a ter uma relação de maior proximidade com ela, pondo em causa o acordo original.

Drama de maternidade e também de descoberta de instintos maternais e do suave moldar da perceção infantil, o filme sobrevive maioritariamente pela genica do tridente de atrizes, a que se junta a paisagem da Sardenha onde a aridez do terreno é balançada com a vida piscícola e dá uma identidade muito própria a uma região isolada nas oportunidades de trabalho e de escassez de meios de sobrevivência.

É também de contrastes que se refletem as personagens de Tina e Angelica. Se a primeira leva uma vida calma e trabalhadora junto do companheiro (Michele Carboni num registo muito ponderado) e vê a filha como um fim absoluto (não olhando a meios para os fins), optando assim por um trabalho de atriz mais teatral e clássico na demonstração do desespero. Angelica é o oposto, sobrevivendo como uma máscara de espírito livre nos limites da marginalidade, vivendo à custa de Tina, do acordo que fizeram, e de biscates vários - o que exige dela uma entrega mais física, expressiva e espontânea.

Com isto, Laura Bispuri consegue criar um filme reflexivo sobre personalidades, modos de vida, e espíritos antagónicos, catapultados por um trio emocional sólido e uma realização muitas vezes com a câmara na mão nervosa e repleta das neuroses, tal e qual como as suas personagens desgovernadas e reféns de um espaço e vida repleta de limitações.

Jorge Pereira



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