Menu
RSS


«Johnny English Strikes Again» (Johnny English Volta a Atacar) por Hugo Gomes

Por mais galhardetes que este Johnny English dê ao Brexit e ao nacionalismo britânico, nada o esconde de ser um exemplar cansado na comédia e uma tentativa acima das suas forças para levar uma saga avante.

Rowan Atkinson até bem pode ser um dos mais talentosos humoristas da sua geração, o qual invocou o efeito clown, reutilizando os velhos gags de um certo período mudo, principalmente no seu alter-ego Mr. Bean, que contou para além de uma concorrida série televisiva, com dois filmes de sucessos variados. No caso da sua outra criação, Johnny English, que mais soa um primo presunçoso de Bean nos Serviços Secretos Britânicos, é mais um olhar ao espelho e auto-satirização dos já prolongados e prescritos clichés do subgénero de espionagem.

Em Strike Again, terceiro episodio de mais umas peripécias acidentalizadas, English lança o seu trunfo, a sua capacidade de caricatura revela-o mais moderno e preciso que muitas das missões bondeanas, jogando a seu favor um caracterizado debate (com muita ironia à mistura) sob a evolução tecnológica da arte de espionar. Contudo, não falamos só em modernidade, acentua-se a atualidade que se instrumentaliza como um antídoto ao seu estafado sorriso amarelo. Requisita-se Emma Thompson a figurar uma neurótica Theresa May (sabemos que tudo não passa de uma caricatura) ou Jake Lacy a pressionar o dedo na ferida quando às novas definições de vigilância - do panótico ao monopólio, unidos dando origem a um vilão mais impressionante que muito do rol de 007, bastando apenas olhar para Mark Zuckerberg)-, e voilá; temos crítica bem-humorada a servir de pano de fundo para as “palhaçadas” de Atkinson.

Sim, comédia inteligente sem nunca deixar o cair o seu disfarce de popularucho objeto de consumo. Mas como havia sido dito no inicio deste texto, já estava na hora deste Johnny English aposentar-se, assim como Rowan Atkinson em apostar em géneros mais variados (deste lado acreditamos no seu talento fora do riso induzido).

Hugo Gomes



Deixe um comentário

voltar ao topo

Contactos

Quem Somos

Segue-nos