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«Telle Mère, Telle Fille» (Tal Mãe, Tal Filha) por Jorge Pereira

É um sacrilégio - e igualmente o único raio de luz - ver Juliette Binoche neste Telle Mère, Telle Fille, um dos piores e mais patéticos exercícios filmicos que o cinema francês destilou nos últimos anos.

A história de uma mãe "irresponsável" que engravida quase em simultâneo com a filha tinha pernas para se tornar num exercício competente de comédia geracional e de costumes repleto de conflitos contínuos, mas os clichés, o humor de baixo nível, escatológico e muitas vezes de mero sketch descartável transformam toda esta obra num longo e intenso martírio onde acaba por ser um cão a merecer o maior destaque. 

Veja-se o nível das piadas, com apontamentos sobre o aborto, a gravidez, o sexo e muitos mais elementos a roçarem a boçalidade de um Comédia Explícita - Movie 43, onde até um falar para a vagina debaixo de água é transformado em eventual piada. E até se podia desculpar com humor negro ou irreverência tudo isto, mas na verdade estamos perante um objeto esquemático com ambições de filme de família que ainda tem o desplante de se transformar num romance patético e mais que esperado na ponta final. A mãe finalmente comporta-se como mãe e a filha como filha. Pobre...

Binoche, Lambert Wilson e Camille Cottin (claramente a melhor em cena) andam em tudo isto perdidos - embora devam ter sido muito divertidas as filmagens - neste objeto obsoleto e profundamente fecal - até na realização - saído das "mãos" de Noémie Saglia, cineasta que já tinha desapontado com Há Sempre Uma Primeira Vez em 2015. Absolutamente a evitar.


Jorge Pereira
 



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