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«Pacific Rim: Uprising» (Batalha do Pacífico: A Revolta) por Hugo Gomes

O universo deixado por Guillermo Del Toro é revisitado após pedidos e suplicas por parte dos agradados fãs. Contudo, esta segunda volta entre “mechas contra kaijus”, aquele templat cuidadoso e carenciado com algum amor de aficionado de subgéneros, resulta num supérfluo condimento do tão rotineiro e vasto vale do entretenimento hollywoodesco.

Enquanto se tenta agradar audiências orientais (o foco está no mercado chinês, como Michael Bay havia feito com outra saga robótica), este Pacific Rim: Uprising perde-se nas suas, em vão, tentativas de desenvolvimentos de personagens. Estas não sobressaem da sua unidimensionalidade, aliás a causa para essa natureza não está no processo de desenrolar narrativo mas sim na “imaginação” dos argumentistas em implantar a previsibilidade inerente. Com isto, e sob o efeito de CGI complexados na sobriedade das sequências de ação e na historieta como desculpa para explosões e mais explosões, o trabalho de Steven S. DeKnight revela-se capaz em mimetizar os tons deixados por Del Toro (os restos, sensação que nos acompanha em toda esta “experiência”), porém, torna-se inútil em transcender essas próprias marcas, assim como personalizar a regra e esquadro do tão batido cinema-blockbuster.

Até porque cinema deste género já é habitado por artesões indiciados na sua própria linguagem (Michael Bay, Roland Emmerich, Zack Snyder), em Pacific Rim: Uprising é simplesmente um filme-tarefa a dar valor para com os elementos passageiros, não vá o espectador cair nas desgraças pensantes. Em certa forma, insinuar intelectualidade num filme sobre robots e gigantescas bestas oriundas das profundezas do Pacifico é um facto redutor da nossa parte, porém, requeria-se novas “águas” para o já visto nesse tipo de conteúdo, e astucia no desenrolar de toda esta matéria de devaneios tecnológicos.

Enfim, o mexicano parece fazer falta, mas no fim das contas, o que funcionava no filme de 2013 era somente o efeito homenagem, o tributo de quem sonhava materializar sonhos sem julgamentos. Essa dita loucura direcionada converte-se agora em automatizações produtivas, o espetáculo do pronto-e-esquece onde salienta o carisma de John Boyega em construir do seu personagem-rascunho algo que queiramos verdadeiramente simpatizar … claro, dentro dos limites do aceitável mainstream.

Hugo Gomes



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