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«Veronica» por Jorge Pereira

Inspirado por uma história verdadeira no bairro de Vallecas, em Madrid, na década de 90, e marcado como o único caso em Espanha onde o relatório da policia aponta para fenómenos inexplicáveis [paranormais], Verónica marca o regresso de Paco Plaza à realização depois de (REC) 3 Genesis. Apesar de 7 nomeações aos principais prémios do cinema espanhol, entre elas a de melhor filme e melhor realizador, este não é de todo um retorno em grande forma do cineasta valenciano, até porque Plaza parece querer continuar mais a piscar os olhos a Hollywood, usando todos os truques banais do cinema comercial de horror, do que propriamente criar um caminho diferente e seu.

Depois de apelar aos espíritos com recurso a um tabuleiro Ouija, uma adolescente vai ser atormentada por fenómenos inexplicáveis que vão colocar toda a familia em risco. Verónica, o filme, começa no final, com a polícia a ser chamada, mas rapidamente regressa a uns dias antes desse momento para nos presentear com eventos esteticamente aprimorados, personagens e lugares comuns, sustos em série essencialmente baseados no aumento do volume e da aplicação de uma banda-sonora original que faz lembrar alguns dos clássicos de horror dos anos 80 (Pesadelo em Elm Street; Poltergeist).

Já a ação passa-se nos 90, ficando a tarefa de regressar a esses tempos nos décors, no guarda-roupa, nos cabelos e caracterização, bem como nas inúmeras músicas espanholas dessa década, com os Herois Del Silencio em grande destaque.

Mas se o filme nunca realmente provoca sustos de maior para os mais experientes no cinema do género, até porque estes sabem bem os códigos do horror, também é verdade que pelo menos existe sempre uma atmosfera gótica tenebrosa em torno de uma família disfuncional. Aqui, quem nos transmite isso mesmo - acabando por ser o melhor do filme - é o elenco de jovens e o seu relacionamento. E isto também porque a única adulta em cena (tirando uma super estilizada freira cega que demonstra ao sentido estético e plástico de Plaza) é a mãe das crianças, frequentemente ausente. E no meio desses jovens há que falar de Sandra Escacena, a protagonista, talvez a única verdadeira potencial vencedora de um Goya como atriz revelação.

De resto, e por estas alturas, já se esperava mais de Paco Plaza, que com Verónica consegue apenas não sucumbir ao cliché de apresentar tudo isto em found footage...


Jorge Pereira



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