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«Quem é Barbara Virgínia» por José Pedro Lopes

Uma das propostas mais curiosas do Doclisboa e do Porto/Post/DOC este ano foi «Quem é Bárbara Virgínia?», um documentário sobre a primeira mulher a realizar um filme em Portugal, na década de 40, e a qual foi também o primeiro português (sim, em termos absolutos) a apresentar uma longa-metragem em competição em Cannes, em 1946, «Três Dias sem Deus», do qual restam 26 minutos sem som.

É curiosamente triste a ligação entre este documentário de Luísa Sequeira e outro que vimos nos cinemas há umas semanas atrás: «Nos interstícios da Realidade» de João Monteiro sobre o cineasta António de Macedo. Triste porque quer Bárbara Virgínia e António de Macedo foram realizadores diferentes e ousados que o país (ou as forças que os dominam) trataram de silenciar.

Mais grave até, é o facto da história os ignorar. Tanto de mal ouvimos do cinema português e do que nunca se fez cá, para descobrirmos que vivemos num país onde se criaram filmes tão arrojados como «Três Dias Sem Deus» e «Aldeia dos Rapazes» de Bárbara Virgínia.

No documentário Luísa Sequeira mostra a sua viagem para descobrir uma realizadora cujos filmes já quase não existe, e cujos registos escassam. Aliás, este será agora certamente o grande registo da obra de Bárbara Virgínia. No entanto, também por isso «Quem é Bárbara Virgínia?» sabe ele também a um documentário que fica por acabar: a escassez de registos históricos e o desaparecimento dos seus filmes («Três Das Sem Deus», a tal longa, perdeu-se no incêndio da Cinemateca) acabam por deixar dúvidas no ar e curiosidade para responder. E o facto de o Luísa Sequeira nunca ter chegado a conhecer Bárbara Virgínia (que faleceu poucos dias antes do encontro que o documentário antecipa) faz com que nunca tenhamos a tal conversa que ansiamos o filme todo.

Uma viagem interessante - e derradeiramente emocionante - de uma cineasta a procura da história de outra.

José Pedro Lopes



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