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«Army of One» (Exército de um Homem Só) por Jorge Pereira

De herói a lunático, Gary Faulkner – o homem que insiste que Deus lhe deu a missão de “caçar” Osama Bin Laden - foi apelidado de tudo. Numa entrevista, e sobre o que achava desses adjetivos para descrever a sua estranha persona, o patriota americano que após o 11 de setembro fez as delícias da imprensa que se sustenta de fait divers declarou que era um pouco de tudo, até porque tinha um historial de consumo de crack, cocaína, erva e álcool e já tinha passado pela prisão, já tinha naufragado e sido esfaqueado e baleado.

Longe do arquétipo do herói americano, o apelidado de Rambo das Montanhas Rochosas era na verdade um desempregado, às vezes sem-abrigo, e doente renal que, após uma alucinação (durante a diálise), encara a caça a Bin Laden como a sua missão de vida.

Esta história é tão bizarra e excêntrica que só podia ser verdade, cabendo a Larry Charles – de Borat, Bruno e o Ditador – transpor para o cinema um projeto que tinha tudo para ser uma comédia oddball sem grandes aditivos.

Ainda assim, os argumentistas Rajiv JosephScott Rothman decidiram acrescentar pequenas estórias aos factos, isto num conceito onde devia mais sobressair a história que o homem, mas onde o que acontece é exatamente o contrário. Aqui não ajuda muito o desempenho de Nicolas Cage, o qual agarra a personagem num jeito farsalhão, acrescentado tiques, manias e um tom de voz nasalado com sérias consequências no resultado final, em particular para a genuinidade de tudo o que estamos a assistir (nos créditos vemos o verdadeiro Faulkner e percebemos a diferença entre o real e a personagem).

É que se criativamente até é de saudar a opção de fugir ou expandir um pouco a personagem real, a verdade é que no final a ingenuidade alucinada de Faulkner perde-se. A inverosímil mas verdadeira aventura do homem torna-se secundária e contada de forma apressada, ficando apenas uma imagem caricatural exagerada com pouca piada da figura, algo que tem caracterizado os últimos tempos de Cage, constantemente com performances over-the-top que absorvem tudo em seu redor.

Consequentemente, Larry Charles consegue a proeza decontar uma históriasem nunca ir a lado nenhum para além do protagonista, tratando de forma superficial todas as personagens que circularam em torno de Faulkner como meras figuras de cartão onde apenas Russell Brand consegue brilhar em pequenas aparições que refrescam um filme onde se usa e abusa dos maneirismos e monólogos de Cage.

Uma nota ainda para a queda por demasiadas vezes de Charles na estrutura e forma do telefilme, algo que ainda transforma mais este Army of One num trabalho escusado de ver no grande ecrã.

Jorge Pereira



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