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«Bienvenue à Marly-Gomont» por Jorge Pereira

 

As recordações de infância do rapper francês Kamini são a base para este Bienvenue à Marly-Gomont, uma comédia dramática sobre as dificuldades do seu pai – um zairense formado em França – como médico de província nos anos 70 numa pequena localidade da Picardia, no norte de França.

Kamini, a irmã e a mãe vivem desafogamente em Kinshasa, no Zaire (atual Congo), mas sonham (principalmente a matriarca) em viver em Paris. Quando Seyolo termina o curso de medicina pretende a cidadania francesa e encontra na oferta de uma pequena localidade do interior o seu primeiro emprego, renunciando mesmo a um trabalho no seu país sob a ordens do ditador Mobutu. Depressa o sonho francês se torna em pesadêlo pois chegados ao local, os habitantes – que nunca viram um negro – não o procuram quando têm problemas de saúde, preferindo ir a um médico numa outra localidade mais distante.

Temas como a interioridade, o racismo e a ambição de uma vida melhor por parte dos "estrangeiros" são temas recorrentes no cinema gaulês e Kamini através do seu argumento entrega um trabalho urgente de uma forma ligeira, sensível e até tocante (é uma história muito pessoal para o autor).

O problema é o fraco trabalho na mise en scène, a redundância das situações cómicas do filme e alguma queda para a caricatura na caracterização das personagens.

Escapa o facto de este não ser propriamente um ensaio moralista, mas a verdade é que tudo poderia ser muito mais acutilante e uma forma de reflexão ao abandono dos países de origem, das nossas raizes, e como se luta pela aceitação numa nova sociedade.

E embora mereça destaque a prestação de Marc Zinga como Seyolo, é Aïssa Maïga, no papel da sua esposa, que rouba todas as cenas em que aparece.


Jorge Pereira



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