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«Kingsman: The Secret Service » (Kingsman: Serviços Secretos) por Paulo Portugal

 

Uma paródia ao universo Bond com o distinto Colin Firth no papel de super agente secreto e mentor de uma personagem rufia saída de um filme de Guy Ricthie teria todos os ingredientes para sucesso e longevidade. Lamentavelmente, o novo filme de Matthew Vaughn não parece ser capaz de recuperar o mesmo prazer "tongue in cheek" exibido no hilariante Kick Ass, nesta tentativa de combinação com o universo rasca londrino que criou para Guy Ritchie em Um Mal Nunca Vem Só. Arranca assim sem o fulgor desejável um produto que nos surge com o figurino calhado para uma franchise inspirada no "comic book" The Secret Service, de Mark Millar e Dave Gibbons.

É pena porque o trailer deixa-nos a sensação de que todos esses ingredientes estão presentes. No papel, até é convincente a sessão de treino do aprendiz Eggsy, defendido pelo pouco conhecido britânico Taron Egerton, que recebe aqui a rampa de lançamento para a ribalta, de modo a substituir os modos rudes da rua pela suavidade do agente secreto Harry Hart (Firth), capaz de lidar com uma corja de escroques apenas com recurso ao seu guarda-chuva.

O problema é que o guião da dupla Vaughn e Jane Goldman, com tão boas provas dadas em Kick Ass e até em X-Men: O Início, não evita alguns lugares comuns nesta estrutura narrativa típica filme de estúdio. Nem o próprio Samuel Jackson no papel de vilão com voz de sopinha de massa chega para aliviar esse lado esquemático de introdução à organização Kingsman. Cabe-lhe a personagem de Valentine, um magnata do software com intuitos globalizantes e sinistros, devidamente coadjuvado por Gazelle, uma mulher letal (a beldade argelina Sofia Boutella) equipada com próteses semelhantes às do atleta sul-africano Oscar Pistorius.

Sem surpresas, Colin Firth passeia a sua classe numa personagem que parece assentar-lhe tão bem como os fatinhos saídos das alfaiatarias de Saville Road. E gera até com alguma química com o lado gingão da personagem defendida pelo novato Taron Egerton. Pelo menos aqui habilitado para conduzir a alta velocidade em marcha atrás, enquanto perseguido pela polícia ou mesmo num acrobático salto de paraquedas. A Michael Caine cabe-lhe um papel quase honorífico, como o chefe da organização, uma espécie de M de uma outra série. Ah sim, e valerá a pena tentar descobrir um Peter Hamill escondido por detrás da pele de um cientista raptado por Valentine.

O guião segue num desinspirado lume brando o tal percurso de seleção dos candidatos a Kingsman, como se tratasse do episódio piloto da franquia, apenas interrompido pelas acrobáticas sequências ampliadas por efeitos "strobe". De tal forma que nem um grand finale de, literalmente, saltar a tampa nos faz recuperar desse apagão.

É certo que Matthew Vaughn aprecia um cinema em que o lado de ação não dispensa uma componente de diversão. Pena é que aqui tudo pareça adiado para futuras instalações. Ainda que ninguém fique aborrecido por ver uma cabeça a rebentar...

O melhor – A dupla Firth e Egerton parece preparada para as sequelas que se antecipam
O pior – Desejava-se um guião mais apurado e maior sentido de humor


Paulo Portugal



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