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«Fifty Shades of Grey» (As Cinquenta Sombras de Grey) por Duarte Mata

Há um filme de Clint Eastwood em que uma personagem, dona de um jornal bastante vendido, afirma: "As pessoas querem ler sobre sexo e violência. O nosso trabalho é fazer com que não se sintam mal por isso". Não é mentira nenhuma que Hollywood tem esta máxima adotada, com o pretexto de que os corpos que expõe e rebenta são de carácter "artístico". Mas, a grande falácia cometida é que, no que toca a sexo, ao mesmo tempo que despe os seus atores, têm um terrível pudor em saber como usar o seu nudismo. E é isso mesmo que vem demonstrar o primeiro blockbuster de 2015, As Cinquenta Sombras de Grey.

Numa película de quase duas horas, só cerca de quinze mostram sexo. O resto é um filme romântico banalíssimo. O Grey do título (Jamie Dornan), que poderia ter sido uma personagem interessante de se explorar (e já agora, o universo sadomasoquista) é cansativo e repetitivo em cada cena, com um tom de voz monocórdico e frouxo (quem nos lembra mesmo é o vampiro de Robert Pattinson na saga Crepúsculo, de que Cinquenta Sombras não é mais do que reciclagem). De igual modo a Anastasia de Dakota Johnson tem uma ingenuidade excessiva que afeta a credibilidade no que toca a sucumbir aos desejos do primeiro.

E como chamar a isto um filme erótico? Há mais erotismo no vestido da Monroe ou nas luvas da Hayworth (e atenção, estes foram filmes feitos em época de censura) do que toda a pele que aqui é exposta ou nos gemidos terrivelmente reprimidos. O que há é oportunismo. Para quê falar de realização ou do que é verdadeiramente artístico? Este produto não passa de uma telenovela em formato softcore com muito mais dinheiro envolvido, acabando por fornecer um "product placement" (aviões, automóveis, relógios e afins) de luxo ao invés de contribuir para o desenvolvimento das personagens em si.

Salva-se uma química entre os atores principais (muito ténue, mas está lá) e uma referência à A Primeira Noite que passa despercebida à maioria da audiência. De resto, As Cinquenta Sombras... só vem provar aquilo que já se suspeitava há muito tempo: a televisão contaminou o cinema mainstream. E que raio de mania é esta em ter protagonistas com os olhos claros?

O melhor: A pouca química entre os protagonistas.
O pior: O pudor. Isto não é cinema.


Duarte Mata



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