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«Lemonade» vence 14ª edição do FEST, em Espinho

Lemonade, de Iona Uricaru, foi distinguido com o Lince de Ouro da 14ª edição do FEST Festival Novos Realizadores | Novo Cinema, que decorreu em Espinho. O filme tem como abordagem os dramas de uma jovem romena e o seu filho nos EUA, tende em focar a cada vez difícil situação da migração em terras de Trump. O júri era composto por Ángel Santos, diretor artístico de Novos Cinemas, Pontevedra International Fil Festival, o realizador português Luís Galvão-Teles e ainda a diretora de casting Nacy Bishop. Destaque ainda para a menção honrosa, partilhada por Winter Brothers, de Hlynur Palmason, e I am Not a Witch, de Rungano Nyoni.

A salientar o Grande Prémio Nacional entregue a Água Mole, de Laura Gonçalves e Alexandra Ramire, o Prémio de Curta-Metragem a Excuse Me, I'm Looking for the Ping Pong Room and my Girlfriend, de Bernhard Wenger, e ainda Lupo, de Pedro Lino, que conquista dois prémios no certame, menção honrosa na categoria documental e o Prémio de Público, este último anunciado e atribuido por Asghar Farhadi.

 

LINCE DE OURO

Melhor Longa-metragem de Ficção

Lemonade

Menções Honrosas

I'm not a Witch

Winter Brothers

Melhor Longa-metragem de Documentário

Sand and Blood

Menção Honrosa

Lupo

 

LINCE DE PRATA

Melhor Curta-Metragem de Ficção

Excuse Me, I'm Looking for the Ping Pong Room and my Girlfriend

Menção Honrosa

The Treehouse

Melhor Curta-metragem de Documentário

Dust, Jabuk Radej

Menção Honrosa

Conection

Melhor Curta-metragem Experimental

Home Exercises

Melhor Curta-metragem de Animação

Oh Mother!

Menções Honrosas

A Cat's Consciousness

 

GRANDE PRÉMIO NACIONAL

Melhor Curta-metragem Portuguesa

Água Mole

Menções Honrosas

Fidalga

Uma Formiga

 

PRÉMIO DO PÚBLICO CINEUROPA

Melhor Longa-Metragem

Lupo

Melhor Curta-Metragem

Snake

 

NEXXT

Melhor Curta-Metragem

Parallaxe

Menções Honrosas

212

 

FESTINHA

Prémio Sub6

Achoo

Prémio Sub12

Fruits of Clouds

Prémio Sub16

Mele Murals

Trailer de «Blaze», o regresso de Ethan Hawke como realizador

O ator Ethan Hawke aposta na biografia de Blaze Foley, cantor country norte-americano que foi assassinado em ‘89, para a sua terceira longa-metragem enquanto realizador. Blaze, que conta com ainda com um argumento escrito pelo próprio Hawke, divulgou o seu primeiro trailer. O filme teve estreia oficial em Sundance recolhendo críticas positivas, sendo visto como um potencial candidato à award season (temporada dos prémios).

O estreante Ben Dickey interpretará o cantor, liderando um elenco composto por Alia Shawcat, Josh Hamilton e Charlie Sexton. Estreia comercial para agosto nos EUA.

«O problema é Cristiano Ronaldo, mas temos jogadores para pará-lo»: Asghar Farhadi sobre o Mundial da Rússia

Asghar Farhadi esteve presente na 14ª edição do FEST e para além de ter lecionado numa masterclass, foi celebrado com a primeira exibição nacional de Todos lo Saben (Everybody Knows), o seu último filme que teve as honras de abrir o Festival de Cannes. O realizador de A Separação e O Vendedor, ambos vencedor de Óscares de Melhor Filme Estrangeiro, filmou um dos casais mediáticos da grande indústria, Javier Bardem e Penélope Cruz, num thriller dramático ambientado em Espanha. O facto da rodagem ter sido muito próxima de Portugal, Farhadi esclareceu em entrevista ao C7nema (a ser publicado em breve), a sua relação com o nosso país.

Estive uns dias na cidade do Porto num festival, penso que foi há 10 anos, mas nós iranianos estamos familiarizados com este país até por causa de Carlos Queiroz [risos] Ele é quase um iraniano, ele é inteligente e respeitoso com todos e conhece muito bem o país … e também de Cinema.” Farhadi revelou ainda que conhece pessoalmente Queiroz, e que o português utilizou as redes sociais para felicitar o realizador pela conquista do Óscar de O Vendedor. Acrescentou de seguida outra personalidade portuguesa célebre no Irão – Cristiano Ronaldo.

Portugal e Irão disputarão na próxima segunda-feira uma partida crucial no Mundial da Rússia. Asghar Farhadi deixa o aviso, desportivamente, aos portugueses em relação à sua seleção: “Será um grande jogo. De inicio não estava confiante, até porque nos calhou um grupo o qual integrava equipas como Espanha e Portugal. Mas a esta altura do campeonato, nós, iranianos, temos muitas esperanças. Tudo graças a esta equipa. O problema é Cristiano Ronaldo, mas temos jogadores para pará-lo.

FEST: Festival de Novos Realizadores, Novo Cinema, que arrancou no dia 18 de junho, continuará a sua programação até segunda-feira, dia 25, coincidindo com a data de tal partida.

«I Am Not a Witch» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

O título entra em cena sob pesarosas cadências como uma declaração de força, um ativismo pessoal, o punho fechado da autoestima se tratasse (I – Am – Not – A – Witch), isto, após uma sequência invulgar que coloca o espectador ocidental, conformista, de mundo feito e reconhecido em choque com uma sobrerrealidade. Essa, tão irreal que confunde-se como uma distopia fantasiosa do absurdo, porém, este tipo de ritual é inspirado em “factos verídicos”. Tais palavras que servem de um totalitarismo pensante na indústria fílmica, aqui inteirado como sugestão para um drama, por si reconhecível a estas audiências privilegiadas, a emancipação de uma criança … ou pelo menos em teoria.

Mas afinal o que de tão ridículo encontramos nesta primeira longa-metragem de Rungano Nyoni? Desde uma sociedade ainda regida pela tribalismo no interior da Zâmbia, até ao preconceito alicerçado ao mito da Bruxa. Longe da imagem ocidental de um verrugosa mulher com pactos faustianos e de má índole, as “bruxas” nascidas nesta savana são “seres” fora do condição humana, temidas e igualmente veneradas perante um estranho método de domesticação. “Não se deixem enganar, ela não é um ser humano, é uma bruxa”, avisa o Presidente da Câmara numa emissão televisiva. Homem de alto cargo politico motivado por crenças ancestrais que dilui com “fé do primeiro Mundo”, a capitalização. Um desses atos de ganância, a apresentação do seu “novo” animal de estimação, Shula (Maggie Mulubwa), uma menina de pais desconhecidos, abandonada à sua sorte após ser acusada de “bruxaria”. Sabe lá a rapariga o que isso é!

Após um julgamento inacreditável, onde as provas são mais escassas que as loucuras proferidas pelos cidadãos de uma vila longínqua, mas a única “casa” conhecida por Shula, a criança que da hora para a outra torna-se uma não-criança. Ou diria antes um não-humano, uma “criatura algo mitológico” – a bruxa - o seu novo estatuto.

I Am Not A Witch responde com um realismo seco, um episódico retalho no intuito de preencher uma ideia silenciosamente panfletária, impondo choque cultura e racional para as audiências de “outras realidades”. Sim, diríamos que Nyomi cria e recria um filme bem aos moldes do mercado world cinema, possível interação com este meio, infelizmente, nunca respondendo com exatidão ao ativismo presente no título garrafal. É com humor e com humor se paga, contorcendo esta realidade numa caricatura plena, como o caso de Shula que usa os seus poderes de “vidente” para pedir auxilio às “seniores” bruxas através de um telemóvel.

São sequências como estas, impagáveis, que funcionam como momentos-chave de uma tragicomédia onde o lado humorístico encontra-se no nervosismo do nosso riso, aquele, envergonhado perante um situação incapaz de lidarmos. I Am Not A Witch está longe de ser um grande filme, mas está perto de nos surpreender pela sua temática bizarra.

Hugo Gomes

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