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Sean Baker: dois projetos na agenda para o realizador de "The Florida Project"

Desde que lançou em 2004 o drama Take Out que Sean Baker tem dado nas vistas, tendo nos últimos anos assinado alguns dos trabalhos mais interessantes do cinema independente americano, como Startlet, Tangerine e o sublime The Florida Project.

Agora o cineasta, que recentemente esteve presente no júri da 20ª edição do Festival de Mumbai (25 de outubro a 1 de novembro), tem dois projetos na agenda, planeando filmá-los sequencialmente.

Dois projetos...

A epidemia de opiáceos nos Estados Unidos da América, uma crise de saúde pública que vitimou mais de 53 mil pessoas no país em 2017, é um dos temas que poderá ser abordado direta ou indiretamente no próximo filme de Baker, que em fevereiro numa conversa com o Screen Daily disse que a ação poderia levá-lo até às prisões e a zonas dos EUA onde a epidemia mostra-se mais grave, como a Virgínia Ocidental e Cincinnati.

Já em agosto, depois de marcar presença em Locarno, o realizador deu mais detalhes: "Há dois filmes que estamos a pensar fazer (...) e filmá-los sequencialmente (...) eu sou muito mau em saltar para a edição. Preciso sempre de alguma distância. Em cada filme, tive produtores e financiadores que não se importaram de me dar seis meses antes de editar. Desta vez, pensamos: 'talvez vamos fazer dois filmes de uma vez e editamos os dois'".

O segundo projeto na sua mente poderia ser filmado fora dos EUA. Seria certamente uma obra "contemporânea" que terá algo a dizer aos EUA: "Gostaria de lançar uma luz sobre algo que não estamos a fazer bem nos EUA, mostrando onde isso está a ser bem executado. Definitivamente, será algo passado num microcosmos".

O realizador acrescentou que ainda não sabe se vai filmar no iPhone qualquer um dos dois, mas uma coisa é certa. Recusa-se a usar o digital: "Não há razão para usar o digital, a menos que estejas a usar um telefone. Esperamos filmar no próximo ano", disse ao Screen Daily. Já no Festival de Mumbai, o realizador especificou as vantagens de trabalhar com o telemóvel: "A maior vantagem de filmar com um iPhone é que não é tão intimidante para os não atores trabalharem pela primeira vez (...) Um meio deve complementar ou elevar o assunto do filme. Qualquer arte deveria ser democratizada, qualquer um deveria ser capaz de fazer filmes do jeito que quiser. "

Um destes novos projetos será escrito apenas por Baker, enquanto o outro será desenvolvido em parceria com Chris Bergoch, com quem trabalhou em The Florida Project, Tangerine e StarletSobre o colaborador, Baker disse recentemente em Mumbai: "Bergoch e as minhas sensibilidades são muito diferentes, mas eu gosto dele. Ele é fortemente inspirado por Steven Spielberg e pela Disney, enquanto eu preferiria um trabalho de Tarkovsky onde não existem diálogos. Nós encontramos nos algures no meio. Bergoch também traz com ele aspetos como a estrutura narrativa de três atos, que eu às vezes preciso ... Essa estrutura tem sido usada tanto que o público pode prever os resultados finais dos filmes. Faço filmes que são fatias da vida, que são estudos de personagens, para o qual essa estrutura pode não ser a mais adequada."

A sensibilidade Pop


Para Baker, os seus novos filmes certamente estarão na mesma linha de The Florida Project no que diz respeito ao orçamento (cerca de 4 milhões de dólares) e "sensibilidade pop" : "Ao tornar uma história divertida, usando um género específico, podes lançar uma luz sobre uma situação política ou um grupo mal representado, tornando-o acessível a uma audiência geral [ao invés de apenas fazer uma peça realista social]".

A terceira fase da escrita

Os filmes de Baker normalmente são descritos como 'projetos faça-você-mesmo', pois o cineasta envolve-se em várias fases dos processos, incluindo a montagem, que ele apelida da terceira fase da escrita: "Posso reescrever o filme durante a edição." Isso, diz ele, é a parte "mais difícil do seu trabalho", muito mais que o tempo entre filmes em que "temos de encontrar um novo projeto para o futuro".

O Cinema de ação ainda na mente


Muitos podem não saber, mas Sean Baker chegou a Los Angeles com o sonho de filmar um novo filme da franquia Die Hard (Assalto ao Arranha-Céus). Décadas depois, Baker assume que gostaria de transitar para o cinema de ação um dia: "Sou muito influenciado pelo cinema de ação, assisto muito a ele e adoraria experimentar, mas ao mesmo tempo preciso de um guião adequado".

Explicando o que poderia ser um guião "adequado", Baker deu o exemplo de O Comboio do Medo (1977) [de William Friedkin]: "você tem cenas de ação e pode satisfazer o público dessa maneira, mas também pode fazer uma declaração sócio-política sobre algo como a exploração das companhias de petróleo, que seria o ideal para mim, o melhor dos dois mundos, mas nunca vi um guião como esse."



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