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Temos que falar sobre o trailer de «Avengers: Infinity War»

A Disney/Marvel lançou o primeiro trailer de «Avengers: Infinity War» que culminará dez anos de filmes da Marvel, uma saga iniciada em 2008 com «Homem de Ferro», um vislumbre que quebrou recordes no dia de lançamento.

No entanto, muito mudou em Hollywood e nos EUA desde a refrescante estreia de Robert Downey Jr. como Tony Stark, e a verdade é que a marketing de «Avengers 3» mostra uma total falta de respeito pelo material de origem e pelos espectadores, e espalha tudo o que está de errado na sociedade de consumo fácil e "click" rápido.

 

Temos que falar do teaser do trailer

Se o conceito de um "teaser" de um "trailer" já é um absurdo, uma tentativa chata de criar exposição, o que «Avengers 3» fez é já o fim da linha do razoável.

O 'teaser' do trailer é feito de "reaction vídeos" (vídeos feitos por pessoas que se filmam a elas mesmas a gritar histericamente enquanto veem filmes, conceito que adquiriu “notoriedade” com a febre da saga Twilight) dos filmes anteriores. Chegamos a este ponto de aceitação online. Pouco importante ideias originais ou fazer uma coisa com qualidade: o que precisamos é gritar e bater no peito que somos populares e aceites.

Ou pelo menos aceites por pessoas que se filmam a elas mesmas a ver filmes (??). Contudo, os reaction vídeos, e a sua propagação da internet tem sido sobretudo uma tendência de voyeurismo emocional por parte do espectador, e um narcisismo por parte do filmado. Para além de todo este conceito, e ainda mais a utilização desta para promover um trailer de um filme, demonstra sobretudo uma ridiculização da Disney para com os seus fãs, prolongando a estupidificação da mesma.

Será que os fãs da Marvel são todos uns “adultos-crianças” que não experienciaram nada da vida para além dos comics e “bonecada”? Segundo teaser, a ideia é essa.

 

Temos de falar deste Thanos

Depois de tanto "teaser", a aparição de Thanos não podia desiludir mais. Estamos perante mais uma aberração de CGI (igual a Steppenwolf em «A Liga da Justiça»). Não se identifica Josh Brolin naquele "boneco", que não apresenta a cor dos filmes anteriores nem sequer o capacete clássico da personagem.

Inclusive, a voz de Thanos surge no trailer mas não o vemos a falar. Claramente o "motion capture" não está terminado, mas a questão fica mesmo se fará sentido vermos vilões feitos a computador da cabeça aos pés neste tipo de filmes.

Se Michael Shannon como General Zod ("Man of Steel"), Heath Ledger como Joker ("Dark Knight") ou Tom Hiddleston como Loki («The Avengers») funcionaram, porque estes deveram sobretudo ao trabalho de performance dos seus atores, para além do efeito de “textura” e credibilidade que se perde com as criações CGI. Em contraponto, não existe nada de interesse num Doomsday («Batman v Superman»), Steppenwolf («A Liga da Justiça») ou até neste «Thanos».

Temos que falar desta América de Trump no poder

Os filmes da Marvel (via Disney) tem evoluído no sentido da América: a solução são armas, e a bandeira é uma religião. Tal como «Capitão América: Guerra Civil» e muitos dos filmes recentes da Marvel via Disney, a abordagem é belicista e totalitária. Neste trailer, quase todos os pontos narrativos são armas: vemos o Hulkbuster, vemos a Luva do Thanos, vemos o novo fato bélico do Homem Aranha, fala-se do escudo do Capitão América. Vemos imagens de guerra, ameaças de guerra. Se não fosse a troca de olhares entre Scarlet Witch e Vision, diriam que estamos perante um showcase bélico.

Temos que falar do cinema de super-heróis

Se o subgénero consegue inovar de certa maneira («Deadpool», «Wonder Woman»), ou prometendo alguns riscos a terem em conta para o próximo ano («New Mutants» e «Aquaman»), os super-heróis parecem ter caído no cansaço, e a grande culpa é «Logan», a derradeira pedra fúnebre do universo, demonstrando que é possível criar cinema adulto aqui e que as personagens imortalizadas nos comics podem adquirir uma mortalidade visível.

Será difícil recuperar disto.

Quanto isso, a promessa de Thanos conquistar a Terra, com máquinas grandes no meio da cidades e com um exercito alado a seu dispor, nada de novo parece trazer aqui. Aliás, foi esse o grande calcanhar de Aquiles do recente «A Liga da Justiça».

Temos que falar que esconder «spoilers» não é o mesmo que ocultar uma narrativa

O mais frustrante neste trailer é que literalmente não temos qualquer ponta de história. As personagens são interessantes, tem carisma, mas não nos é apresentado grande coisa. O problema é que sabemos que não é preciso - já vimos tudo isto antes. E Thanos parece um vilão muito óbvio no que quer, como o quer.

E tal como o trailer de «Thor 3», a surpresa aqui é a aparição de uma personagem da série... olha o Capitão América de barba (no outro era olha o Hulk gladiador).

Temos que falar do tom ... Michael Bay?

A maior surpresa do trailer é o de ser completamente automatizado, e sob uma sensação que foi montado à pressa, de forma a ofuscar o holofote que a DC recebera com o seu recente «A Liga da Justiça».

Se no marketing de «Thor Ragnarok» fomos bombardeados com "o filme mais divertido de sempre!" (que não era), aqui «Avengers» soa a... uma barafunda CGI e de pirotecnia à lá Michael Bay.

Discursos “épicos”, imagens “épicas”, cadáveres no chão, gente a ser torturada... guerra, armas, explosões.

No final, nada de grave. A Disney irá fazer muito dinheiro com o filme na mesma - e conta com o seu exército online e a imprensa amiga para dizerem que é tudo genial. No entanto ficamos com a ideia que o que antes era um estúdio cheio de energia, é agora um poder instituto.



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